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Com 38 anos de idade, photo danielFerreiraeu não vivi os tempos da ditadura, mas os meus avós e os meus pais sofreram-na. Partilham comigo histórias de tempos em que tinham de esconder as capas de determinados livros ou o quão perigoso era tecer comentários depreciativos sobre assuntos sociais, políticos ou mesmo ideias que não se conformassem com o regime ditatorial em que se vivia. Viviam subjugados por um sistema político autoritário que mantinha a sociedade oprimida através da sonegação do conhecimento, e do medo.

Hoje celebramos a libertação de Portugal desses tempos. Celebramos o quadragésimo quarto aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974. Homenageamos os que confrontaram a ditadura e que fizeram a Revolução, com enormes custos pessoais, na prossecução de um objetivo comum: a liberdade de expressão, a liberdade de escolha.

Iniciou-se assim a transformação de um povo outrora fechado e retrogrado, numa sociedade livre, mais aberta e formada, ansiosa por conhecer e dar-se a conhecer ao Mundo. A entrada na Comunidade Económica Europeia, agora União Europeia, foi um passo determinante dessa transformação, só possível com o 25 de Abril de 1974.

Numa sociedade que se pretende democrática e livre, de plenos direitos, não nos podemos descurar dos nossos deveres; com a liberdade conquistou-se o direito e o dever de voto, e nisto a abstenção é um dilema. É necessária a participação de todos, em defesa da dignidade, igualdade de direitos, lutando contra a discriminação social, racial e de género.

A começar nas nossas casas, onde primeiramente se transmitem os valores morais e éticos que nos definem individualmente para o resto da vida.

A escola, enquanto local de encontro de culturas, tem o papel de incentivadora de aprendizagem, divulgação do conhecimento e desenvolvimento da cidadania.

Também os órgãos autárquicos, assembleias de freguesias e assembleias municipais, devem constituir-se como exemplo de troca de ideias, de participação cívica e da verdadeira experiência democrática.

Temos de ser exigentes na melhoria da eficiência do Estado, enquanto garante de efetivação dos direitos e liberdades fundamentais, desde o mais próximo órgão autárquico ao mais longínquo organismo central. A transparência e o combate à corrupção só são possíveis escolhendo pessoas com os mais elevados valores morais e éticos e com espírito de missão na gestão da coisa pública, evitando aqueles que não governam para as pessoas, mas servem-se delas para seu próprio governo.

Temos que direcionar a Democracia para o futuro. E o futuro está aí à mão. As novas tecnologias e o alcance das redes sociais são uma oportunidade de partilha de ideias, mas trazem também novos desafios à liberdade de expressão, informação e livre escolha. A tentação de controlar a informação é grande, procurando novamente colocar os cidadãos numa espécie de passividade abúlica perante o mundo. Enquanto cidadãos livres, estatuto adquirido com a Revolução do 25 de Abril de 1974, não podemos permitir isso de novo.

É preciso abraçar projetos dedicados à promoção de uma cidadania ativa, com mais espaço para falar de política ou simplesmente falar.

O aparecimento de Movimentos de Cidadãos Independentes e de Grupos de Cidadãos Eleitores trouxe essa cidadania ativa para os centros de decisão locais. Permite que haja um escrutínio saudável da forma como a comunidade está a ser dirigida e a renovação de hábitos instalados, que deixaram de fazer sentido em sociedades em permanente evolução.

A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe inegáveis progressos à região Oeste, e ao Concelho de Torres Vedras em particular.

Gerou um grupo de notáveis políticos que desde então tem dirigido os destinos deste concelho, e com a elevação a Cidade em 1979, o concelho evidenciou desenvolvimento rural e urbano, atraiu novos habitantes, de perto e de longe, que aqui encontram espaço para os seus projetos de vida.

Com o passar do tempo, o processo democrático aprofundou-se, culminando na atual composição de algumas assembleias de freguesia e da Assembleia Municipal deste Concelho e no novo regimento dessa mesma Assembleia, um exemplo de progresso democrático.

Ignorar a nossa história deixa-nos à mercê da repetição de atitudes e formas de atuação social que perpetuam o atraso e o que de mais negativo e injusto ele representa.

Sejamos sim, uma referência para o futuro do Concelho e do País.

 

Movimento Cidadão Torres nas Linhas

Daniel Ferreira

25 de Abril de 2018

 

 



Clique aqui para rever a Sessão Solene da Assembleia Municipal Comemorativa do 44º Aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974

 

Carnaval de Torres, essa festa popular que nos é tão querida e da qual, nós torrienses, tanto nos orgulhamos.thumbnail foto Maria Lopes

Carnaval de Torres, essa festa popular que quem é folião faz com vontade e de coração.

Carnaval de Torres, essa festa popular que de ano para ano vai entristecendo os torrienses, os foliões, pois cada vez mais é tratada apenas com finalidade financeira, perdendo a sua essência e o seu carácter.

Esta festa que é feita pelos torrienses, pelos “cá da terra” e por quem a eles se queiram juntar. Sem dúvida que a Câmara Municipal desempenha um papel muito importante na sua organização, ninguém lhe pode tirar o mérito e que seja sempre a nossa Câmara Municipal a organizar esta festa e não uma qualquer outra entidade. Mas que ninguém esqueça, que ninguém esqueça mesmo, que sem os foliões, aqueles que como eu, pagam do seu bolso as suas máscaras e pagam do seu bolso a entrada para um corso em que nos vamos divertir e divertir quem nos vem ver. Sim, não tenho dúvida alguma que sem nós, o Carnaval de Torres não era nem uma sombra do que é. No entanto, constantemente em discursos se agradecem a tantos e não se ouve um Obrigado aos que do seu tempo abdicam, aos que o seu dinheiro investem nesta festa que é para todos.

Continuamos a fazê-lo por gosto, com uma vontade que só quem o faz compreende, com uma alegria que é só nossa. No entanto, é inevitável olhar à volta e a cada ano que passa analisar no que o nosso Carnaval se vai transformando, que cada vez mais não é senão um porquinho mealheiro. Fico triste, o nosso Carnaval é feito por nós para nós e para quem nos quiser visitar. O nosso Carnaval é uma tradição antiga, não se explica, sente-se!

Tínhamos um corso trapalhão ao sábado à noite mas como começou a atrair muita gente, a Câmara Municipal passou o concurso de máscaras para essa noite e fechou as portas do recinto. Então, passámos a fazer um corso trapalhão à segunda-feira à noite mas também esse passou a atrair muita gente e o que é que a Câmara Municipal faz? Fechou as portas do recinto. Será que algum dia vamos conseguir ter realmente o nosso corso trapalhão de volta? Era tão bonito ver este gesto acontecer.

Recebemos com um júbilo singular quem nos visita, mas se esta festa popular, este Carnaval é acima de tudo para os torrienses, qual a razão de os postos móveis de venda de bebidas, as chamadas “barracas de cerveja” não estarem por defeito atribuídas uma a cada bar? Afinal são eles que pagam os seus impostos e fazem os seus investimentos durante todo o ano para que possamos ter um local onde tomar um café com amigos ou até festejar um aniversário. Será que também eles não mereciam essa compensação? Obviamente que se não estivesse dentro dos seus interesses os postos em questão seriam leiloados, mas seria tão mais correcto agir desta forma, em vez de esperar pelo “quem dá mais” e voltar apenas e só ao interesse financeiro.

Precisamos de mais segurança? Sim. Precisamos de maior fiscalização de bebidas em garrafas no recinto e de pontos de venda de comida ou bebida clandestinos? Sim. Precisamos de mais casas de banho móveis? Sim. Mais um posto de primeiros socorros? Porque não? Mas se me perguntarem se precisamos que nos respeitem e valorizem mais? Sem Dúvida!

Só mais umas questões, que no meu humilde entendimento não compreendo. Porque razão não foram cumpridos os valores dos Kits de Carnaval até à data prevista? Não haviam Kits mas mantinham o valor, tinha sido um gesto bonito e apreciado, em vez disso, mais uma vez, apenas veio facilitar críticas menos boas e, na minha opinião, válidas. Outro assunto, este ano surge um palco na Praça Alberto Avelino porque motivo? Se o recinto é cada vez mais pequeno, de facto é, mas é facto também que faria mais sentido que este fosse alargado para o parque de estacionamento onde existia o antigo Sporting de Torres. Qual o motivo que levou a que continuem a estacionar veículos tão no centro e se opte por colocar um palco tão longe?

Por favor, aqui peço. Não transformem o nosso Carnaval num simples mealheiro ou num caldeirão de interesses, ele é tão mais que isso.

Para terminar apenas um conselho: Aproveitem ao máximo sempre com moderação e respeito esta nossa festa que está a chegar e Viva o Carnaval De Torres Vedras!!

Maria Lopes,

Apoiante do Movimento de Cidadãos Independentes Torres nas Linhas

Seja uma festa pagã em que se celebra o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno (natalis invicti Solis), ou uma festa cristã em que se celebra o nascimento de Jesus como realização da vontade de Deus, o Natal é um acontecimento repleto de símbolos e tradições.

Decora-se a árvore que por um lado remete à ligação da terra aos céus, por outro pretende mostrar às crianças como seria o céu iluminado na noite do nascimento de Cristo. Há também o presépio que enfatiza a humildade de Jesus ao mesmo tempo que promove uma imagem de reverência. As canções retratam as tradições das comemorações e os valores cristãos. Personagens lendárias como São Nicolau, que percorria a cidade indagando as crianças sobre o seu comportamento durante o ano antes de decidir se elas mereciam um presente ou não, é considerado o Pai Natal original.

Em Torres Vedras, o Natal cumpre a tradição e faz-se de entusiasmo e partilha: começando na árvore que brilha por toda a Praça da República, ali perto a Misericórdia apresenta o tradicional presépio. Seguindo em direcção ao largo de São Pedro, sob as luzes que nos iluminam o caminho, temos a árvore de madeira reciclada que apela à contenção. Mesmo por detrás da Igreja de São Pedro, o Mercado de Natal remete às antigas aldeias de Natal. Por fim, onde a caminhada termina e o novo mundo começa, em Sta. Cruz celebra-se a entrada em 2018 com estrondo e alegria, amizade e partilha.

Pagão ou Cristão, o Natal pede uma introspecção ao passado, e anuncia uma nova esperança para o futuro. Celebremos o Natal recordando quem deu de si mesmo por nós todos, e olhemos para o novo ano de 2018 com a esperança de um futuro próspero, igualitário para nós todos. Em 2018, cá estaremos, por todos nós.

O Torres nas Linhas deseja a todos um Feliz Natal em 2017 e um Próspero Ano Novo para 2018.

 

Daniel Ferreira, 22 de Dezembro de 2017

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Para estreia da Assembleia Municipal (AM) saída das últimas eleições autárquicas, registámos um infeliz incidente que, tendo como protagonista/autor o próprio presidente da mesa da referida Assembleia, José Augusto Clemente de Carvalho, não se aceita como distracção ou falta de experiência suas.

Para espanto de grande parte da Assembleia Municipal, os Deputados do Movimento de Cidadãos Torres nas Linhas (TnL) e do Bloco de Esquerda (BE) não podem participar na Comissão Permanente da Assembleia Municipal por, no entender do citado presidente, não poderem constituir-se em Grupo Municipal.

Ora faz toda a diferença poder ou não poder integrar a referida Comissão permanente que, entre outras atribuições, decide quais as datas das reuniões da Assembleia, as propostas a agendar na ordem de trabalhos da mesma Assembleia, os tempos de intervenção de cada um dos Grupos e outros assuntos de interesse.

Só por si, o facto de não estarem representados nessa Comissão, relega para um plano secundário e de menoridade os Deputados que ficam de fora da mesma.

Em democracia todos os eleitos têm os mesmos direitos e os mesmos deveres, assim como os grupos políticos que eles representam, tenham origem em Movimentos de Cidadãos ou em partidos políticos.

Dito de uma outra forma, as Constituições dos regimes democráticos não permitem que haja eleitos de 1.ª categoria e eleitos de 2.ª, tal como também não podem existir Cidadãos de várias categorias.

Quando votamos não esperamos (acertadamente) que, havendo eleitos da nossa escolha, eles não possam participar em igualdade de circunstâncias nas instituições para as quais os elegemos.

Ter o número de votos suficiente para fazer vingar as propostas é um outro assunto.

A participação em pleno nas instituições não pode ser vedada, criando figuras regimentais que permitam, com ou sem interpretações mais ou menos distorcidas, eliminar os princípios mais básicos e elementares das democracias.

Atalhando, espera-se que os eleitos da casa mãe da democracia local, a Assembleia Municipal, mostrem rapidamente se consideram haver outros deputados municipais, seus pares, de 1.ª e de 2.ª categoria e por isso, também Cidadãos Torrienses de 1.ª e de 2.ª categoria.

(É com espanto que nos vemos a escrever sobre assuntos que nos lembram coisas de antigamente).

Torres Vedras, 17 de Novembro de 2017.

 

P’lo TORRES nas LINHAS” (TnL),

Sérgio Ribeiro Jacinto e Pedro Norberto Lopes.

 

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